Paris os burning

Abdicar

Eu preciso cuidar mais dos meus amigos, mesmo que eu abdique algo que me dava prazer.

Confissão

Estou cansado de tentar fazer a diferença.

Melanie Martinez - Carousel 

"what a beautiful sky" (Manaus/Amazonas/Brazil)

"what a beautiful sky" (Manaus/Amazonas/Brazil)

spring2000:

i-D february 2000 “digital downtime” alek wek photographed by mark mattock

spring2000:

i-D february 2000 “digital downtime” alek wek photographed by mark mattock

paintdeath:

Uma Thurman and her stunt double Zoe Bell on the set of Kill Bill.

paintdeath:

Uma Thurman and her stunt double Zoe Bell on the set of Kill Bill.

tastefullyoffensive:

[wronghands]

"Skelita is Alive!" (Stop motion test)

Voltei, vô! Quando eu tinha lá pelos 13 anos, peguei emprestado a câmera VHS do meu avô e brinquei de fazer stop motion, aquele famoso REC/PAUSA. No caso era com massinha, figurinhas das Spice Girls e um carro de brinquedo (Cadillac).

Hoje, que fiquei de molho em casa devido a um problema de garganta, resolvi fazer um teste rápido para ver se ainda tinha a manha. Bem, agora é continuar a fazer, acredito que vou fazer mais testes com minha boneca (sim, é minha) Skelita. 

Cadê a vontade?

Cadê a vontade?

Será se já não deu a hora?

São anos de dedicação, suor, de choro, de dúvidas, de boas memórias, de acreditar que estava somando, de prêmios e conquistas, feitas em casa sorriso e comentário de quem me acompanhou. Tinha 23 anos e hoje cheguei aos 28 e me pego pensando: e aí, o que vou querer ter daqui 10 anos? A mesma coisa de hoje, definitivamente não. Ninguém quer isso, né?

Com o pelamordi aprendi que querer é poder. Seja fazer a diferença e até mesmo em ideias, buscar aplicar ideias que estão na minha mente. Pude expressar através de design, imagens, vídeos, edições, remixes, festas (amor & ódio), memes e tudo mais que eu estava capacitado (ou achava que estava) a fazer.

Cara, quanto tempo foi e é investido. Caralho, quanto tempo investido. Acordo pensando nele e vou na cama pensando nele. Posts, textos, eventos, estar sempre conecato nas redes sociais, curtidas, acessos, contatos, pedidos, podcast, video, redes sociais. É um trabalho fudido, não se desliga nem um dia. Mas será se é pelo público ou por mim mesmo?

Não quero me depreciar, mas acredito que tenho leitores, seguidores e até fãs que valem a pena lutar. Mas e minha vida? Pensando bem, as 3/4 horas por dia que me dedico a esse projeto (seja realizando, editando ou pensando) eu poderia gastar em outras coisas, coisas que ensaio durante anos e nunca faço, exemplo:

1) Malhar

2) Ler livros

3) Escrever roteiros

4) Desenhar

5) Fazer nada

Essas e diversas outras ideias. Estudar francês, aperfeiçoar o inglês, estudar design, inventar tipografias, ver seriados (meu deus, como queria isso), estudar html, fazer um vlog e ficar nele mesmo, me amar mais. Enfim, mil coisas.

Hoje, num desencontro de opiniões, me veio em mente esse fantasma que me assombra há uns 3/4 anos. Será se já não deu a hora? Daí me pergunto, sinceramente: você quer estar na mesma posição daqui 1 ano? Não. Escrevendo, tentando crescer mais, ficar recebendo convites para eventos de qualidade duvidosa, lidar com outros do meio que sequer tem personalidade, acreditar que as coisas vão crescer e fazer projetos bacanas mas que sempre dizem “manaus não merece isso, rafa”.

Eu não falo isso pelo ocorrido mais cedo, mas sim pelas intermináveis lutar diárias, de ter que estar afim, sempre, de lutar e lutar. Não é melhor lutar por algo que seja meu, que não dependa de público, leitores ou apoiadores/patrocinadores? Será se eu não transformei meu projeto, que era um escape, numa eterna busca do “mapa da mina”?

Estar acompanhado nele dá um enorme gás, não posso negar, mas a responsabilidade de conduzi-lo é milhares de vezes mais pesada. Mas sabe, tudo isso por uma cidade que não respeita sequer 1 sinal vermelho? Respeito, reconhecimento e até admiração. São os focos, mas, péra: Manaus. Ma-na-fucking-us. Cansa.

Essa minha eterna sina em querer fazer a diferença, em querer ser visto, em tentar me expressar, de tocar as pessoas, de até valorizar questões de costumes, língua e tudo mais. Why?

Será se o retorno de tudo isso está valendo a pena? O que tem me acrescentado hoje? Até onde interfere na minha vida pessoal? Porque continuar fazendo? As pessoas realmente desejam a prosperidade dele e/ou de qualquer coisa que seja minha? Porque continuar fazer algo por “eles”? Será se esse projeto ainda me representa?

Perguntas e mais perguntas, sem resposta. Dizem que a dúvida nos mantêm vivos, né? Eu quero hoje é um novo caminho, felicidade, paz de espírito e prosperidade na minha jornada diária. Cada vez mais quero isso.

Sono, Mingau?

My love.

My love.